Skip to content

Empatia

24/06/2017
Um pouquinho sobre empatia ❤
(Por Carl Rogers)
“Ao contrário do que eu pensava anteriormente, empatia é mais um processo do que um estado, e este modo empático de estar com outra pessoa apresenta várias facetas:
“É penetrar no mundo perceptivo de outra pessoa e se sentir completamente em casa ali…”
“ Significa ter sensibilidade momento a momento para perceber as constantes mudanças internas desta outra pessoa… do medo, a raiva, fragilidade, confusão, ou qualquer outro sentimento que ela esteja experimentando naquele momento…
“Significa viver temporariamente a vida do outro, morar ali dentro, e se mover ali de forma muito delicada, sem fazer nenhum tipo de julgamento, buscando perceber sentimentos que ela provavelmente não tomou consciência, bem como procurando não reprimir os sentimentos que pareçam ameaçadores e que ela porventura já tenha percebido…”
“Inclui ainda a comunicação atenta do que você percebe daquele outro mundo, com seu olhar reflexivo e amigável, sobre os elementos que possivelmente a outra pessoa ainda teme…”
“Consiste em constantemente conferir com esta pessoa se a sua percepção está sendo correta e se guiar por suas respostas… E ao ser guiado por essas respostas, você se torna um companheiro confiável a partir de dentro de seu próprio mundo, por apontar-lhe possíveis significados latentes em seu fluxo de experiências… Desta forma, você o ajuda a permanecer focado nestes referenciais internos que o permitirão ter um a percepção pessoal mais completa para atravessar aquela experiência… “
“Estar com o outro desta forma, é pôr de lado seus valores e visões pessoais, de modo que possa entrar no mundo do outro despido de preconceitos…”
“Colocar-se de lado desta forma pra penetrar no mundo alheio, somente é possível para alguém que tenha autoconfiança o bastante para não se perder no que poderá surgir de estranho ou bizarro naquele outro mundo, e voltar a si mesmo confortavelmente sempre que desejar…”
“O que foi dito acima deveria deixar claro que Ser empático é a um só tempo um modo de ser complexo, exigente e forte, mas ainda assim, um sutil e gentil modo de Ser…”
CARL ROGERS
**Carl Rogers (1902-1987) foi um dos precursores da abordagem humanista da psicologia, e como mestre de Marshall Rosenberg, sua ideias tiveram grande influência na criação da Comunicação Não-Violenta
***O trecho acima foi extraído e livremente traduzido de uma aula proferida por Carl Rogers em 1974, e que poderá ser acessada no seguinte link:
(legendas automáticas em português disponíveis)

machismo estrutural

11/03/2017

Como contribuimos todos na manutenção do machismo estrutural que nos atravessa?

Na roda final de um encontro de facilitadores que durou alguns dias, onde o tema masculino e feminino foi recorrente, enquanto eu falava, um homem me interrompeu, perguntou ao meu marido se permitia que ele se dirigisse a mim, e me pediu licença para demonstrar algo, pedindo para eu me levantar.

Meio chocada com a situação, e ao mesmo tempo curiosa, decidi me levantar para saber o que será que ele queria demonstrar que era tão importante a ponto fazê-lo intervir desta forma na minha fala, numa roda de fechamento onde cada um expressava suas palavras finais sem interrupções…

Gostaria de ter tido a presença para simplesmente relatar em voz alta o que estava ocorrendo no momento, da forma como fiz acima. Nenhuma outra pessoa, das cerca de 60 presentes, disse alguma coisa a respeito do fato.

Depois do homem voltar ao seu lugar e eu também, quando outras pessoas já tomavam a palavra para si, uma única pessoa – uma mulher – expressou que gostaria de terminar de ouvir o que eu estava dizendo quando fui interrompida.

Infelizmente esse foi o último dia do encontro e o assunto não pôde ser retomado no grupo.

Me ponho agora a pensar como é importante a conscientização e interrupção dessas “pequenas” ações (não acho que essas tenham sido tão tão pequenas assim) tanto minhas quanto dos outros, que contribuem para manter pensamentos e pressupostos tão impregnados dentro de nós que passam despercebidos e ficam inconscientes, mantendo o machismo na nossa sociedade: “os homens são de alguma forma proprietários de suas esposas”, “a voz de um homem é mais importante e tem prioridade em relação à voz de uma mulher”, “tudo bem um homem interromper uma mulher para ajudá-la a explicar algo”, “isso pode acontecer com homens também, não só com mulheres”,  “isso é algo tão pequeno, deixa pra lá “, “a intenção era boa”, etc.

Se num grupo como esse, de facilitadores de processos grupais, pessoas atentas às relações e desenvolvimento pessoal, essa “violência estrutural” teve espaço e passou despercebida, (já que a “intenção era boa” – contribuir com minha fala e dar um exemplo sobre o que eu estava falando), fico pensando o quão mais difícil é reconhecer e transformar as opressões sistêmicas a que nós mulheres somos submetidas (e nos submetemos) no dia a dia nos demais ambientes, sem muitas vezes nos darmos conta…

 

 

Corpo

13/11/2016

bodyPresto distraída atenção ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo logo suas ordens, mas
cedo sempre.

Me achego a ele e indago:
-O que queres? Ah, é isso? Então, concedo.
Sempre que eu resisti
um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia, ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos
que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele sabe,
e sabe antes de mim, e nele
eu sei dobrado, sou um-e-dois
como os dois cortes de um sabre.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

 

 

Brilhar

29/10/2016

Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos. É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta.

Nós nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?’. Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não existe nenhum mérito em você se diminuir, recuar apenas para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.

Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos.

Quando permitimos que nossa luz brilhe, inconscientemente damos permissão aos outros para fazerem o mesmo. Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.

Marianne Williamson 
(A Return To Love, 1992)

brilhar

Aikido e CNV

26/08/2016
Alguns chamam o Aikido de ‘Comunicação Não-Violenta Corporal’ e a Comunicação Não-Violenta de ‘Aikido Verbal’!
“Em outras artes você aprende harmonia para dominar. No aikidô você aprende a harmonia pela própria harmonia. Eu arremesso você 4 vezes e você pratica acompanhar essa força. Depois invertemos os papeis. É um estudo de como conduzir a força e como recebê-la. Por exemplo, se eu atiro algo em você, pode ser uma bola, pode ser um insulto, a sua tendência é se contrair, contrair seu corpo e sua mente. Como seria se você visse algo vindo em sua direção e você deixasse passar, ou se for um insulto, você não se apegar a ele? De maneira física, o aikidô está apontando para isso. Toda vez que eu subo no tatame, eu trago toda minha história de preconceitos, tendências, opiniões, por causa de coisas que aconteceram comigo quando eu era criança, e trago o medo, que vive no meu corpo. E eu treino com outra pessoa que traz tudo isso também em seu corpo. Às vezes é como uma bomba relógio que se encontra e BUM! E às vezes atravessamos tudo isso conjuntamente onde as duas pessoas conseguem ver um ao outro, existir um para o outro, de uma forma que não é apenas tentando dominar o outro. […] Algo muito poderoso ocorre.”

Dar de coração

19/08/2016

Lucy Leu – Nonviolent Communication Companion Workbook
Tradução: Sandra Caselato

Quando eu era criança meu pai dizia “me traz uma xícara de chá”. Ele nunca checou comigo para ver o que eu estava fazendo no momento ou se eu queria trazer o chá para ele. Eu ouvia suas palavras como uma exigência e como eu tinha medo das conseqüências eu arrastava meus pés e mau-humoradamente lhe trazia a xícara de chá toda vez. Agora ele está morto e enquanto escrevo essas palavras me sinto muito triste. Me dou conta que ele nunca recebeu uma xícara de chá de mim que tenha sido dada de coração. O que me impediu de dar de coração foram minhas necessidades de respeito e autonomia. O que acabou acontecendo, obviamente, foi que levar a xícara de chá com mau humor não foi uma boa estratégia para atender com sucesso nem minhas necessidades de respeito nem de autonomia. Agora estou triste porque gostaria de ter sabido como melhor atender minhas necessidades de autonomia e respeito e então ter tido a possibilidade de sentir prazer em oferecer a xícara de chá de coração de forma que atendesse minha necessidade de contribuição.

Conflitos são coisas boas

18/08/2016

oglobo.jpg
Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/sandra-caselato-psicologa-conflitos-sao-coisas-boas-19936467#ixzz4HciIplz4
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.