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O que é ajudar?

04/08/2018

(Por Sandra Caselato)

Talvez uma das coisas mais importantes que aprendi experimentando e estudando a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) e a Comunicação Não-Violenta (CNV) tem a ver com a pesquisa do Carl Rogers (criador da ACP) sobre a Relação de Ajuda (da qual participou Marshall Rosenberg (criador da CNV)).

Parece um paradoxo, mas tenho experimentado nesses 15 anos como psicóloga e estudiosa e “experimentadora” da CNV e da ACP, que o que mais “ajuda” uma pessoa não é “tentar ajudar”, mas apenas estar junto com ela naquilo que está acontecendo com ela no momento, acompanhar a pessoa no que está “vivo” para ela a cada momento, sem tentar resolver, modificar, transformar, sugerir…

Apenas estando com a pessoa estou dando espaço para que as transformações possam acontecer naturalmente, no ritmo da pessoa, sem que eu tente dirigir ou forçar transformações… É como observar o desabrochar de uma flor… Eu posso estar ali presente observando, admirando, apoiando e  contribuindo com as condições necessárias para que ela desabroche (água, luz, etc.), mas se eu tento ajudar a flor a se abrir mexendo em suas pétalas, acabo interferindo no processo e posso até inadvertidamente acabar destruindo a flor…

A noção de empatia para mim está muito ligada a esse respeito e confiança profundos de que a pessoa é capaz de encontrar seu próprio caminho e a melhor maneira que eu tenho para apoiá-la é estar junto com ela, com o que está vivo para ela a cada momento. É uma confiança plena no que Rogers chamou de Tendência à Auto Atualização – a tendência inata de todo ser vivo a se mover em direção a encontrar formas de suprir suas necessidades vitais.

 

 

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Fórum ZEGG

09/06/2018

Do site da Comunidade Zegg: https://www.zegg.de/en/program/zegg-forum/52-zegg-community/144-zegg-forum.html

(Tradução e adaptação: Sandra Caselato)

 

Em 1978, a comunidade Zegg surgiu a partir da ideia de criar as bases para uma nova cultura, livre de violência, em harmonia com a natureza e com todos os seres. Para isso, precisávamos de um processo forte, capaz de gerar confiança. Este foi o começo do que hoje chamamos de Fórum ZEGG.

Nesse meio tempo, o Fórum se espalhou da nossa comunidade para o mundo. Muitas comunidades em muitos países aprenderam o Fórum com instrutores da comunidade ZEGG e o estão utilizando em seu próprio processo de construção de comunidades.

Em nossa experiência, o Fórum é uma das maiores ferramentas para criar a coesão de um grupo.

 

A transparência cria confiança

O Fórum ZEGG é um processo profundo e íntimo para grupos com até 50 participantes. O objetivo é revelar o que é autêntico, vivo e verdadeiro dentro de nós. O Fórum propicia um espaço de confiança e abertura entre as pessoas. Os participantes experimentam a liberdade para serem quem realmente são, enquanto os outros testemunham esse processo pessoal. Em muitas circunstâncias sociais, “ser observado através dos olhos dos outros” pode ser experimentado como “a morte das minhas possibilidades”. O Fórum supera essa dificuldade. Nesse ambiente de apoio, os olhos dos outros deixam de ser “a morte de minhas possibilidades” e, ao contrário, servem como geradores de cura, crescimento e empoderamento. Eu posso experimentar estar totalmente protegido enquanto exponho minha profunda vulnerabilidade. Posso experimentar que a minha maior abertura é a minha maior proteção, pois sou aceito e apoiado por outros.

O Fórum cria uma grande compreensão mútua através do contato com esta jornada interna e externa. Durante a jornada, certamente também encontraremos nossas dores escondidas na sombra. Se permanecermos presentes com elas, seremos capazes de sentir os sentimentos envolvidos e seguir em frente, fortalecidos. O processo ajuda a todos os envolvidos a ir além da polidez e além dos jogos sociais de disfarce e de se esconder. Uma pessoa conectada com sua verdade interior, não importa quão machucada esteja, é sempre bonita e o processo cria amor. “Enxergar profundamente é amar” – essa é muitas vezes a experiência que se ganha no Fórum.

 

A prática do Fórum 

Os participantes do Fórum geralmente assumem um dos três papéis: o “apresentador” ou “protagonista“, o “facilitador” do Fórum e os “espelhos“.

O grupo se reúne em um círculo. O protagonista entra no meio para compartilhar sua experiência interior atual, algo que esteja em movimento. Ele é convidado a usar todo o espaço do centro, sentindo-se livre para se movimentar, falar, agir e se conectar com seus sentimentos. O único objetivo é ser ou se tornar autêntico. No centro, a pessoa pode ser melhor ouvida em diferentes níveis do que se permanecesse sentada no círculo.

Os “espelhos” ouvem ‘verbal e intelectualmente’ e tentam estar atentos a outros aspectos, como o tom de voz, os movimentos do corpo e a “energia” do apresentador. O círculo apoia o protagonista com sua plena presença e consciência amorosa. O papel das pessoa no círculo é perceber e testemunhar o processo de quem está no centro. Pode ser muito poderoso e tocante testemunhar uma pessoa indo mais fundo em seus processos.  Frequentemente, os tópicos abordam problemas que muitos outros no grupo também têm e seus próprios processos são acionados. Assim, podemos aprender que nossos processos emocionais são semelhantes; tudo o que acontece no centro serve como um exemplo de processos semelhantes em muitos dos que observam.

Os “facilitadores” desempenham um papel importante no processo do Fórum e passam por um treinamento profundo. Isso os ajuda a se tornarem mais autênticos e a aprender a permanecer presentes com as emoções que podem surgir no círculo. Os facilitadores atuam como “parteiras” para auxiliar o processo autêntico pelo qual passa o apresentador. O ideal é que haja dois facilitadores – um homem e uma mulher. Apenas os facilitadores interferem no processo: eles podem intervir a qualquer momento (mas os outros observadores não intervêm). Os facilitadores recebem a confiança do grupo para guiar o processo de acordo com sua experiência e intuição. O objetivo do facilitador é apoiar a revelar a verdade pessoal de quem está no centro, seu poder e potencial.

 

Empatia – apoio por meio de feedback entre pares

Quando o protagonista termina, outras pessoas podem entrar no centro para compartilhar o que perceberam. Nós chamamos isso de “espelho“. Isso significa que os participantes oferecem sua perspectiva pessoal do que viram. É um presente para o protagonista saber o que os outros pensam ou sentem sobre ele e o que têm a dizer, a fim de complementar, ampliar e aguçar a questão apresentada.  No caminho de crescimento da experiência pessoal, essa forma de feedback social é indispensável.

O espelho não é oferecido a partir da cadeira no círculo, mas a partir do centro [quem oferece o espelho fica em pé dentro do círculo]. Isso ressalta a natureza pessoal do espelho – é uma percepção pessoal. Cada espelho é subjetivo. E é assim que deve ser. É o protagonista que assume a responsabilidade de aceitar ou recusar o insight de um espelho, dependendo se faz sentido para ele ou não. Mesmo o melhor espelho é apenas um sinal no nosso caminho; isso não nos poupa de andar por nós mesmos.

Um Fórum eficaz e habilidoso trará a tona nossas sombras temidas com humor, ou de maneira teatral e não personalizada, para que possam ser percebidas sem julgamento. Às vezes, a mudança de energia pode ser muito sutil, como quando o facilitador convida o apresentador a se mover mais rápido, ou a exagerar nos gestos, ou a colocar um som no sentimento. Experimentar formas diferentes de comportamento e processos emocionais teatrais ajuda o protagonista a se afastar de seus estados emocionais. Ele aprende que ele é mais do que apenas suas emoções mutáveis.

 

Nós vemos o Fórum como nossa contribuição para o mundo que queremos ver – um mundo que se forma a partir do fundo do coração das pessoas. O Fórum faz parte da cola que mantém a nossa comunidade viva e unida, ele está no coração da nossa comunidade. 

 

Por que a gente não conversa normalmente?

20/05/2018

(Por Sandra Caselato e Yuri Haasz)

“Por que a gente não conversa normalmente?” – disse, bastante irritada, a pessoa mais privilegiada presente na sala onde estávamos, na Palestina no início do ano.

O privilégio não é algo estático, mas sempre relativo dependendo da pessoa e da situação. Por exemplo, um homem tem certas vantagens sistêmicas em relação a uma mulher em nossa sociedade (pesquisas estatísticas em vários países mostram que homens ganham mais que mulheres na mesma função por hora, por exemplo). Porém se este homem for negro, ele está sujeito a discriminação racial e mulher branca não. Uma pessoa cisgênera, que se identifica com o gênero (masculino ou feminino) atribuído a ela pela sociedade de acordo com o sexo biológico com que nasceu, tem mais vantagens em relação a pessoas transgeneras (que não se identificam com o gênero que lhes foi designado socialmente). Essas pessoas muitas vezes sentem que estão ‘no corpo errado’, são menos aceita pela sociedade e sofrem discriminação (o Brasil é o país que lidera o ranking mundial de assassinatos de transexuais). Porém se uma pessoa transexual tem bastante dinheiro, ela possui mais privilégios em nossa sociedade do que outras que não tem. Outro exemplo, em relação a nacionalidade: uma pessoa com passaporte americano ou de um país pertencente a União Europeia, tem mais facilidade para viajar a outros países do que quem tem passaporte brasileiro. Estes são apenas alguns exemplos de como o privilégio é sempre relativo a características e situações específicas.

Voltando à pessoa que disse  “Por que a gente não conversa normalmente?”,  ele é um homem branco, heterossexual, cisgênero, americano/israelense, de classe média alta, que ‘acumula’, portanto, vários privilégios, ou vantagens sistêmicas. No mesmo ambiente haviam outros homens e mulheres, todos ativistas, que buscam de maneiras diferentes por meio da não-violência, contribuir para transformações no contexto Israel/Palestina. Eram pessoas americanas, israelenses, palestinas, palestinas/israelenses, (nós dois brasileiros), brancas, não brancas, cisgêneras, hetero e homossexuais, judias, muçulmanas, cristãs, ateias, de várias idades.

Temos visto a tendência crescente dentro do ativismo em causas diferentes a uma maior conscientização em relação à importância da interseccionalidade das ‘causas’. Ou seja, vemos cada vez mais o reconhecimento de que as diferentes estruturas de dominação se interrelacionam, criando um sistema de opressão que reflete a sobreposição de múltiplas formas de discriminação. Por exemplo, o racismo, o sexismo, o classismo, o capacitismo, a homofobia e a transfobia e intolerâncias baseadas em crenças — não agem independentemente uns dos outros, mas interagem em níveis múltiplos e simultâneos. Da mesma forma que os privilégios se acumulam, as desvantagens (ou desprivilégios) também se sobrepõem. (Este conceito de interseccionalidade foi criado dentro do contexto do feminismo negro, principalmente por Kimberlé Crenshaw. Para saber mais sobre interseccionalidade, assista este TED Talk: https://www.youtube.com/watch?v=akOe5-UsQ2o )

O ativismo pelos direitos dos povos indígenas, por exemplo, está mais atento às questões de gênero e empoderamento feminino, como se pode ver nos vídeos a seguir:

A causa LGBTQIA busca também trazer à tona questões raciais e preconceito de classe, como acontece por exemplo na Conferência Internacional [SSEX BBOX], todo ano em São Paulo: http://ssexbbox.com

Da mesma maneira, o ativismo por justiça e pelos direitos dos palestinos está cada vez mais trazendo luz a questões de gênero e outras formas de opressão que se sobrepõem. Não foi diferente neste encontro  onde foi dita a frase “Por que a gente não conversa normalmente?”.

Apesar de racionalmente muitos ativistas estarem mais atentos às diversas questões de privilégio de raça, cor, nacionalidade, gênero, etc, suas ações ainda reproduzem muitas vezes essas opressões estruturais. E então, na tentativa de mudar um sistema de opressão acabam sem querer reproduzindo outras violências estruturais.

Neste texto, Noam Shuster Eliassi fala sobre como muitos ativistas judeus/israelenses de vários anos acabam perpetuando as desigualdades que querem erradicar: https://www.haaretz.com/opinion/.premium-why-is-the-american-jewish-left-so-white-1.6034201

A conversa ‘normal’ é talvez uma das formas mais imperceptíveis de reproduzirmos essas desigualdades. É como se ao ‘normalizar’ elas se tornassem invisíveis, principalmente para quem sofre menos o impacto dessas desigualdades, pois está em posição de mais privilégio ou, em outras palavras, de vantagem sistêmica, onde tem menos oportunidade de vivenciar situações em que o sistema não lhe inclui, e portanto tem mais dificuldade de entender que há outros que talvez não vivenciem o sistema da mesma forma.

Muitas abordagens, métodos, técnicas, processos, metodologias e tecnologias sociais conseguem contrabalançar essa tendência humana de ‘reproduzir o conhecido’, que dificulta e retarda transformações importantes nas diversas estruturas de poder das nossas sociedades. Dentre elas estão a Comunicação Não-Violenta (CNV); Abordagem Centrada na Pessoa (ACP); Processo U (Teoria U); Arte de Anfitriar Conversas Significativas (Art of Hosting – AoH), que engloba World Cafe, Pro Active Cafe, Apreciação Investigativa, Círculo, etc; Sociocracia; Democracia Profunda; Forum (Zegg); entre ouras.

Ainda assim, entre pessoas envolvidas com esses processos, as estruturas de poder também acabam se reproduzindo. Um exemplo de ‘machismo estrutural’, descrito por Sandra Caselato, aconteceu num encontro de facilitadores de várias dessas metodologias citadas acima: https://psicosaude.wordpress.com/2017/03/11/machismo-estrutural/

Apenas o fato de buscarmos praticar uma dessas abordagens que desnormalizam as formas de interagirmos não é em si garantia de que não reproduziremos as estruturas e relações de poder nas quais fomos socializados e que se tornaram parte de nossa identidade. É um exercício constante manter um olhar questionador para perceber se inadvertidamente estamos reproduzindo os modelos que estamos buscando transformar.

Voltando à pergunta “Por que a gente não conversa normalmente?”, esse questionamento foi feito durante um processo de Fórum, em que se sentam de 15 a  50 pessoas em círculo e um por vez vai ao centro e se expressa sem interrupções (com exceção de possíveis intervenções dos facilitadores do processo) e recebe escuta atenda e silenciosa, sem julgamentos, dos demais participantes. O objetivo é trazer à luz as coisas ‘não ditas’, numa pesquisa e investigação sobre questões profundas da consciência humana, a fim de fortalecer as relações e a conexão entre as pessoas.

Estávamos realizando este processo e devido a essa estrutura ‘anormal’ de fala e escuta, proporcionada pelo Fórum, coisas preciosas que nunca haviam sido expressas puderam ser ditas, dentro desse contexto do ativismo conjunto judeus/palestinos. As falas sobre o ‘não dito’ vieram principalmente das pessoas menos privilegiadas, que têm suas vozes menos escutadas no espaço coletivo – seja porque não se sentem tão à vontade e confiantes para falar, seja por terem ‘mais a perder’, seja porque suas falas não são tão ouvidas e valorizadas quanto as de outras pessoas com mais vantagens sistêmicas.

Na conversa ‘normal’ as estruturas de privilégio, vantagens e desvantagens sistêmicas, e as relações de poder nas quais estamos mergulhados culturalmente, tendem a se reproduzir. Os mais privilegiados se sentem mais a vontade para falar e portanto tomam mais espaço, e são mais valorizados, enquanto as vozes menos privilegiadas são menos ouvidas ou consideradas.

Então é por isso que cada vez mais preferimos e valorizamos as conversas ‘anormais’, estruturadas de maneira a buscar garantir igualdade de espaço e tempo para todas as vozes e contribuir para transformar as estruturas de poder e privilégio.

Durante nosso encontro na Palestina, o homem que disse “Por que não conversamos normalmente?” entrou no centro do círculo no Fórum e expressou que estava bastante irritado,  incomodado e bravo mesmo com toda a estrutura e “rigidez da conversa”, que para ele “não tinha vida”, “não tinha interação”, “não tinha troca” e era uma “perda de tempo”.

Ele não estava enxergando que somente por causa dessa ‘estrutura rígida’ é que várias pessoas puderam dizer coisas que nunca haviam dito antes, em anos de ativismo conjunto, e certamente não diriam numa conversa ‘normal’. Essa é a chamada ‘cegueira do privilégio’ – pessoas em posição de mais privilégio, que estão acostumadas a diversas vantagens nos vários âmbitos de suas vidas, têm mais dificuldade em perceber as desvantagens sistêmicas pelas quais outras pessoas estão passando.

Há uma citação frequentemente atribuída ao autor e professor Clay Shirky que diz que “quando você está acostumado ao privilégio, a igualdade é sentida como opressão”. O que a pessoa sente e percebe como opressão é um deslocamento para fora de sua zona de conforto, para fora da experiência de vivenciar certa facilidade nos inúmeros aspectos de sua vida, já que em grande parte o sistema social em que vivemos foi desenhado, organizado, pensado para favorecer principalmente essas pessoas.

A igualdade então depende de uma reorganização das diversas estruturas sociais, culturais, relacionais, físicas, de identidades, de distribuição de poder e recursos, etc., de maneira que todas as pessoas sejam consideradas igualitariamente.

Nessa readequação, os mais desprivilegiados passam a ter mais vantagens do que tinham antes e as pessoas mais privilegiadas têm suas vantagens reduzidas, passando então a experimentar os sistemas como somente os menos privilegiados experimentavam: algo não estruturado e pensado inteiramente para eles apenas, e sim, em parte, adequados para outros também.

Certificação em CNV

15/05/2018

Entrei em contato com a Comunicação Não-Violenta (CNV) pela primeira vez através do livro de Marshall Rosenberg, que ganhei de presente. Dei uma lida por cima, achei interessante, mas nada mudou em minha vida ou em minha atuação como psicóloga.

O livro ficou na gaveta por uns 2 anos, até que participei de um curso intensivo de 10 dias e só então pude experimentar na prática e realmente entender do que se trata a Comunicação Não-Violenta.

Costumo fazer uma analogia com práticas como a natação, o aprendizado de idiomas ou atividades físicas: posso ler a respeito de como nadar mas só vou aprender realmente entrando na água e praticando. O aprendizado da CNV também acontece assim, por meio da experimentação vivencial. É um aprendizado prático e não mental ou teórico apenas. Aprender CNV, portanto, leva tempo, pois não basta a simples compreensão intelectual. É necessária a vivência, a experimentação prática e a integração da experiência do paradigma que a CNV propõe.

O Processo de Certificação oferecido pelo Centro Internacional de Comunicação Não-Violenta (CNVC), criado por Marshall Rosenberg, valoriza muito essa característica vivencial. É um processo muito diferente da certificação em outras áreas de conhecimento. O Centro Internacional não oferece cursos de certificação, mas sim processos que envolvem mentoria com instrutores experientes, que acompanham os candidatos em seu processo pessoal de vivência e de partilha da CNV.

Para se candidatar à certificação, a pessoa precisa já ter participado de vários cursos, estar experimentando há algum tempo e vivenciando em seu dia a dia a qualidade de presença e consciência que a CNV propõe. Muitos dos candidatos à certificação são inclusive instrutores experientes há vários anos.

Além disso, ao contrário de outros certificados, este não é um ‘diploma’ vitalício. A cada ano os instrutores renovam sua certificação demonstrando seu compromisso e alinhamento com os valores estabelecidos pelo CNVC, e compartilhados por essa comunidade de instrutores.

Ao nos tornarmos instrutores certificados pelo Centro Internacional de Comunicação Não-Violenta, passamos a fazer parte de uma comunidade internacional que se apóia mutuamente, e partilha de valores comuns e do compromisso em zelar pela qualidade do ensino e partilha da CNV ao redor do mundo.

No Brasil não há atualmente nenhum instrutor certificado, mas existem alguns facilitadores experientes. A certificação pelo CNVC não é pré requisito para partilhar ou trabalhar com CNV.  É apenas um atestado de que a pessoa passou pelo processo de certificação e se compromete a zelar pelos princípios e valores compartilhados pela comunidade de facilitadores ligados ao Centro Internacional.

A certificação pode durar alguns anos e depende muito do processo individual de cada um. São pré-requisitos para a certificação: pelo menos um ano de experiência partilhando CNV (como facilitador não certificado), incluindo facilitação de workshops e grupos de prática; experiência significativa (e orientação) de pelo menos 3 instrutores certificados; pelo menos 50 dias de participação em cursos de CNV durante o período de 3 a 5 anos; registros de workshops e diário pessoal para apoiar o aprendizado e o progresso pessoal.

Eu e o Yuri buscamos viver em nosso dia a dia essa ‘consciência’ e ‘paradigma’ da CNV há vários anos. Nosso desenvolvimento com a CNV vem acontecendo em nossa vida diária e por meio de cursos, convivência, troca e apoio de várias pessoas e instrutores de vários países. Partilhamos a CNV desde 2011 mas somente em 2017 tivemos vontade em nos engajar ao processo de certificação e nos integrar mais firmemente à essa rede internacional de facilitadores.

Em nosso processo temos sido acompanhados por uma ‘assessor’, que tem quase 30 anos de experiência em CNV. O ‘assessor’ é um instrutor certificado com muitos anos de experiência, que tem a função de acompanhar e oferecer uma espécie de mentoria aos candidatos em seu processo de certificação.

Em nosso processo, nós mantemos registros escritos dos cursos que oferecemos, um diário pessoal, encontros regulares com duplas de empatia, sessões individuais com nossa ‘assessor’/mentora, participamos de encontros online com outros colegas e de encontros presenciais. Acompanhamos nossa mentora em cursos que ela oferece, e ela também nos acompanha quando partilhamos a CNV.

Este mês participaremos do primeiro retiro de 10 dias que está sendo oferecido especialmente para candidatos à certificação! O encontro acontecerá nos Estados Unidos e estarão presentes ‘assessors’ e instrutores certificados, além dos candidatos de vários países. Estamos muito felizes e animados para este RETIRO!

** Mais informações sobre o processo de certificação no site do Centro Internacional de Comunicação Não-Violenta: https://www.cnvc.org/training/certification.html

 

 

TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM

12/03/2018

Esta é uma história sobre 4 (quatro) pessoas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM.

Havia um importante trabalho há ser feito, e TODO MUNDO tinha certeza que ALGUÉM o faria.

QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM fez.

ALGUÉM zangou-se porque era um trabalho de TODO MUNDO.

TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo.

No final TODO MUNDO culpou ALGUÉM porque NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.

CNV – Transformando Consciências, Relações e Sistemas

12/02/2018

(Por Roxy Manning, com Janey Skinner)

Original em inglês disponível em http://baynvc.org/nvc-changing-consciousness/

Tradução: Angelica Rente e Caio M. Bessa

A Comunicação Não-Violenta (CNV) foi desenvolvida, em parte, porque seu fundador, Marshall Rosenberg, se inspirou no trabalho do Mahatma Gandhi, Dr. King e muitas outras pessoas que responderam pacificamente e, no entanto, poderosamente, a vastos abusos e desigualdades sistêmicas. Dr. Rosenberg testemunhou o poder transformador que um compromisso ativo e corajoso com a não-violência pode despertar. Como Dr. King, ele também acreditava que a transformação duradoura se origina não apenas na criação de mudanças externas, mas no trabalho para que essa mudança se origine de um lugar que acolha a humanidade de todas as pessoas.

Conforme os ensinamentos do Dr. Rosenberg sobre a Comunicação Não-Violenta se disseminaram, eles se afastaram, em muitos locais, da força poderosa de transformação social que ele imaginou. Muitas das pessoas que aprenderam este trabalho faziam parte dos grupos sociais dominantes em seus tempos. Nos Estados Unidos, o método de ensino baseado em workshops ressoou mais frequentemente em audiências brancas, de classe média, que tinham tempo, escolaridade e dinheiro para participar e que, na maior parte das vezes, buscavam pela liberação pessoal para a qual a consciência da CNV convida. Pessoas menos impactadas pelas desigualdades sociais tendem a focar nos aspectos de crescimento pessoal ou transformação interna oferecidos pela Comunicação Não-Violenta. Elas aplicam os conceitos da CNV às questões relevantes para seus mundos, sem consciência dos modos pelos quais suas perspectivas, moldadas pelos assuntos e ambientes que conhecem, representam apenas uma pequena fração do poder da CNV. Como resultado, uma crítica frequente é que ela ignora ou minimiza questões de raça, classe e outras diferenças sociais. Essa é uma falha na maneira pela qual a CNV tem sido aplicada e ensinada, não da abordagem em si.

À medida em que a CNV começou a se espalhar para comunidades menos privilegiadas, alguns dos modos pelos quais a sua prática se tornou restrita pelo status relativamente privilegiado daqueles que a praticavam se tornaram mais claros e até controversos, nos círculos que a praticam. Um exemplo é a exploração das “necessidades” no pensamento da Comunicação Não-Violenta. Nele, as necessidades são compreendidas como sendo aquelas qualidades vitais abstratas, como contribuição, respeito e compreensão, que todos os seres humanos buscam. Um princípio fundamental da CNV é que todas as ações humanas são tentativas de satisfazer necessidades. Todas as pessoas alinhadas com o pensamento da CNV acreditam neste axioma fundamental. Contudo, as implicações dele são vastamente diversas quando aplicadas com ou sem uma lente social. Como as pessoas interpretarão e se comportarão em relação a este axioma fundamental em relação às classificações sociais pode ser predito à partir de seus estágios de conscientização sobre as diferenças sociais.

Alguns praticantes com uma compreensão limitada das diferenças entre grupos assumem a crença de que todos os seres humanos têm as mesmas necessidades e que todas as necessidades são iguais, e então a aplicam a todas as interações. Estes praticantes, ao abordarem um conflito, por exemplo, em uma sala de aula entre um aluno negro e um professor branco, tendem muito mais a insistir que as necessidades do aluno e as do professor são iguais e que, portanto, devem ser respondidas com igual atenção e sem considerar poder ou privilégio. Eles podem alegar que, já que as necessidades de todas as pessoas são iguais, a pessoa que é historicamente menos privilegiada pode e irá comunicar suas necessidades e é igualmente capaz e responsável por ter suas necessidades atendidas, não importa seu poder real de influência sobre a situação. Quando realizada desta forma, a CNV ignora os efeitos da opressão sistêmica e da história pessoal. Ela não reconhece os diferentes graus de dificuldade que o aluno pode ter em confiar que suas necessidades importam para os outros. Ele pode estar se arriscando muito mais ao comunicar e defender suas necessidades. O aluno tem que lidar com o fato (que o professor talvez nem tenha razões para considerar) de que, quando pessoas do seu grupo falam, elas são, com frequência, ignoradas, quando não punidas ou até mesmo mortas. A aderência a esse foco restrito sobre a igualdade de todas as pessoas e necessidades é uma função da pouca consciência crítica de alguns praticantes, e não uma limitação da Comunicação Não-Violenta em si.

Praticantes da CNV com mais consciência crítica são capazes de aplicá-la em sua potência total. Quando a CNV argumenta que as necessidades de todas as pessoas importam, aqueles com um referencial intercultural mais avançado entendem como um chamado para oferecer às pessoas as ferramentas e o apoio de que elas necessitam para garantir que suas necessidades sejam, de fato, acolhidas com cuidado. Eles estão atentos à diferença entre igualdade e equidade e podem oferecer muito mais atenção e apoio a membros de um determinado grupo, a fim de garantir que suas necessidades emerjam e sejam cuidadas, em relação a um outro grupo que tem mais poder estrutural, para que a equidade seja atingida e todas as necessidades sejam acolhidas com cuidado. Os praticantes da CNV devem estar atentos às inequidades sistêmicas que continuam a persistir entre grupos e a abordarem e considerarem estes desequilíbrios, se realmente desejam dar prosseguimento ao trabalho que Dr. Rosenberg iniciou. De fato, pode ser prejudicial nos focarmos em uma igualdade simplista que ignora as estruturas sistêmicas. Tal foco pode levar à ideia de que o indivíduo é responsável por todas as circunstâncias em que se encontra, sem consideração ao fato de que indivíduos têm acessos vastamente diferentes à influenciar estas circunstâncias. A crença de que empoderar pessoas a reconhecer e defender suas necessidades não-atendidas é suficiente para superar iniquidades sociais, sem reconhecer as diferenças de poder social e político que os indivíduos possuem, carrega o risco de colocar a responsabilidade por ter ou não ter suas necessidades atendidas apenas no indivíduo e para longe do sistema como um local de mudança.

Tragicamente, alguns praticantes de CNV se focam na transformação de escolhas pessoais como a única maneira de abordar a violência estrutural. Por exemplo, eles podem sugerir que, se uma mulher está em uma relação na qual seu parceiro satisfaz suas próprias necessidades de “segurança” e “respeito” controlando o comportamento dela, ela tem a opção de deixá-lo, se a estratégia dele não funcionar para ela. Ainda que isso seja tecnicamente verdadeiro – todas temos a opção de ir embora – é uma compreensão fundamentalmente falha e limitada do que a CNV oferece em situações semelhantes. Ao focar-se apenas no comportamento da mulher nesta situação, o praticante falha em reconhecer a miríade de fatores que podem estar restringindo a escolha de mulher de abandonar seu parceiro ou de defender-se. Não está fora da alçada da CNV chamar o parceiro à responsabilidade pelo impacto de sua ação sobre esta mulher. Um praticante de CNV que está atento a como as normas relacionais tradicionais restringem a liberdade das mulheres pode convocar o parceiro a interromper o comportamento coercitivo ou pode apoiar a mulher a deixá-lo, com compreensão das barreiras que ela poderá ter que enfrentar. Um praticante sem esta consciência pode aplicar o referencial de sustentar a igualdade entre as necessidades de ambos os parceiros, sem reconhecer as diferenças nos impactos e no acesso ao poder e, assim, reforçar, inadvertidamente, os aspectos negativos das normas relacionais tradicionais.

Praticantes que estão totalmente embasados em uma compreensão sobre como as diferenças sociais têm atuado em suas sociedades podem aplicar a CNV melhor, de uma forma que maximiza seu potencial de mudança. Podemos aplicá-la para empoderar indivíduos e apoiá-los a enfrentar a injustiça, arcando com os custos de fazê-lo, da mesma forma que gerações de pessoas embasadas nos trabalhos de Mahatma Gandhi e Dr. King fizeram. Podemos usar a CNV para defender que mais necessidades sejam satisfeitas para mais pessoas. Podemos utilizar nossa compreensão dos sistemas que causam inequidades para dirigir recursos para transformar esses sistemas. Apenas empoderar pessoas ou apenas confrontar sistemas é incompleto. Ao ignorarmos o sistêmico, essencialmente permitiremos que as necessidades de alguns grupos continuem a ser sistematicamente não satisfeitas. Contudo, não podemos esperar que os sistemas mudem para que comecemos a empoderar indivíduos e comunidades, a cultivar as habilidades e a esperança necessárias para curar nosso mundo.

Participantes em um retiro de CNV experimentaram o poder de focar tanto no interpessoal, quanto no sistêmico. Um deles, um jovem afro-americano que estava pela primeira vez na costa leste, entrou numa mercearia em uma vizinhança rica da Califórnia do Norte com outro homem negro. Quando tentou fazer uma retirada de dinheiro no caixa, ele foi informado que teria que voltar em 15 minutos, porque a máquina não estava operando. Quando ele voltou, foi abordado por um policial. A caixa havia chamado a polícia porque acreditava que ele havia roubado a loja previamente, baseada apenas na cor da sua pele. O policial pediu seus documentos. Alguém que ouvisse essa história sem a lente da justiça social poderia acreditar que foi um simples caso de identificação equivocada. O participante afro-americano poderia simplesmente entregar sua carteira de identidade e o erro seria corrigido. Ele poderia voltar ao retiro de CNV e receber empatia pela dor e pela raiva estimuladas por esse evento, direcionada ao seu impacto individual. Ao olharmos através de uma lente na justiça social, surgem muitas preocupações em relação a essa estratégia, dado a longa história de homens afro-americanos sendo acusados e incapazes de limpar seus nomes, apesar de provas abundantes de sua inocência. Além disso, simplesmente cuidar do impacto deste evento através da empatia e do apoio individual não faria nada para prevenir que uma experiência similar vitimasse o próximo homem negro que entrasse na loja.

Alternativamente, o homem nesta história e os participantes do retiro usaram o poder total da CNV para apoiar tanto o indivíduo, quanto a necessidade de mudança sistêmica. Ao invés de entregar suas identidades, os dois jovens apoiaram um ao outro enquanto expressavam sua dor e tristeza pela acusação por roubo feita ao homem negro simplesmente devido a sua cor. Eles empatizaram com o policial tentando fazer seu trabalho e, ao mesmo tempo, insistiram em serem tratados com dignidade e respeito. Ao final, frente a sua insistência não-violenta em terem seus direitos honrados, o policial foi capaz de reconhecer as circunstâncias frágeis que levaram a caixa a chamá-lo e os homens puderam ir embora sem entregar seus documentos. Eles voltaram ao retiro e, então, realmente alavancaram o poder da comunicação não-violenta. Após terem apoio empático da comunidade, o jovem afro-americano expressou seu espanto por ter tido, pela primeira vez na sua vida, um encontro com a polícia que não resultou em consequências severas para ele e pelas outras pessoas da comunidade terem sido capazes de compreendê-lo e apoiá-lo. Então, todos se juntaram para identificar as necessidades não satisfeitas tanto do indivíduo, quanto da comunidade mais ampla. Eles decidiram protestar não-violentamente contra o que aconteceu e convocar a loja e o departamento de polícia local a mudarem suas políticas. Mais de 30 participantes do retiro foram até a loja e aguardaram, enquanto o jovem, um facilitador e um membro da comunidade conversavam com o gerente. Eles foram capazes de expressar o impacto de terem experimentado essa situação e asseguraram o compromisso do gerente da loja de levar esta questão à gerência geral, juntamente com os pedidos por educação e mudança. Ao focarem no apoio ao indivíduo numa situação desafiadora e, então, identificarem e desafiarem os padrões de discriminação que levaram a este evento, o homem negro e os participantes do retiro foram capazes de aplicar a CNV e uma lente de consciência crítica para pedir por mudanças que podem impactar muitas pessoas.

É importante reconhecer que, por serem constituídos por pessoas, os círculos de CNV refletem as sociedades mais amplas das quais fazem parte. Mesmo enquanto se esforçam por mudar a forma como respondem aos seus ambientes usando a CNV, seus praticantes ainda podem estar cegos para as formas nas quais seu foco é limitado por uma visão de mundo não examinada ou questionada. Conforme o número de praticantes da CNV que se tornam criticamente conscientes cresce, eles estarão mais aptos a intervir, não apenas no nível pessoal, mas também no sistêmico. Quando isso acontecer, nós finalmente manifestaremos a visão de mudança individual e sistêmica do Dr. Rosenberg, em direção a um mundo mais igualitário e não-violento.

 

Roxy Manning, Ph.D., é psicóloga clínica e treinadora certificada do CNVC, assim como consultora colaboradora para o BayNVC’s Center for Efficient Collaboration. Ela também é co-fundadora e treinadora do Retiro de Liderança Não-Violenta para a Justiça Social, que está em seu 12o ano de realização. Ela está disponível para consultorias e workshops sobre tópicos como CNV em questões de equidade e inclusão em organizações, como responder a micro-agressões e manejo de situações violentas.

Janey Skinner é treinadora de CNV, acadêmica do City College de San Francisco e escritora premiada. Saiba mais sobre Janey e leia alguns de seus trabalhos em writer.janeyskinner.com.

Empatia

12/09/2017

“Ouvir somente com os ouvidos é uma coisa. Ouvir com o intelecto é outra. Mas ouvir com a alma não se limita a um único sentido – o ouvido ou a mente, por exemplo.
Portanto, ele exige o esvaziamento de todos os sentidos. E, quando os sentidos estão vazios, então todo o ser escuta. Então ocorre uma compreensão direta do que está ali mesmo diante de você que não pode nunca ser ouvida com os ouvidos ou compreendida com a mente.” 
(Chuang Tzu)

Palavras de Marshall Rosenberg sobre Empatia:

Empatia é uma compreensão respeitosa do que os outros estão experienciando.
Em vez de oferecer empatia, muitas vezes nós temos o impulso de dar conselhos ou concordar e explicar nosso própria posição ou sentimento. A empatia, no entanto,
nos convida a esvaziar a mente e escutar os outros com todo nosso ser.

Na Comunicação Não-Violenta, não importa que palavras o outro tenha usado para se expressar, nós simplesmente escutamos suas observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Então podemos desejar refletir de volta, parafraseando o que entendemos. Nos mantemos em empatia, permitindo ao outro a oportunidade de se expressar completamente antes de voltarmos nossa atenção para soluções ou pedidos de alívio. 

Nós precisamos receber empatia para poder oferecer empatia. Quando percebemos que estamos sendo defensivos ou incapazes de empatizar, precisamos (A) parar, respirar, dar empatia a nós mesmos, (B) gritar não-violentamente, ou
(C ) dar um tempo.”

“Empatia, eu diria, é presença. Pura presença em relação ao que está vivo na pessoa neste momento, não trazendo nada do passado. Quanto mais você conhece uma pessoa, mais difícil é a empatia. Quanto mais você estudou psicologia, mais difícil é a empatia. Porque você não pode trazer nenhum pensamento do passado. Se você surfa, você provavelmente é melhor em empatia, porque você construiu em seu corpo do que se trata. Estar presente e em conexão com a energia que passa através de você no presente. Não é uma compreensão mental”. 

“Na empatia você não fala nada. Você fala com seus olhos. Você fala com o corpo. Se você diz qualquer palavra que seja, é porque você não tem certeza que está com a pessoa. Então você pode dizer algumas palavras. Mas as palavras não são empatia. Empatia é quando a outra pessoa sente a conexão com o que está vivo em você”.