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Empatia

12/09/2017

“Ouvir somente com os ouvidos é uma coisa. Ouvir com o intelecto é outra. Mas ouvir com a alma não se limita a um único sentido – o ouvido ou a mente, por exemplo.
Portanto, ele exige o esvaziamento de todos os sentidos. E, quando os sentidos estão vazios, então todo o ser escuta. Então ocorre uma compreensão direta do que está ali mesmo diante de você que não pode nunca ser ouvida com os ouvidos ou compreendida com a mente.” 
(Chuang Tzu)

Palavras de Marshall Rosenberg sobre Empatia:

Empatia é uma compreensão respeitosa do que os outros estão experienciando.
Em vez de oferecer empatia, muitas vezes nós temos o impulso de dar conselhos ou concordar e explicar nosso própria posição ou sentimento. A empatia, no entanto,
nos convida a esvaziar a mente e escutar os outros com todo nosso ser.

Na Comunicação Não-Violenta, não importa que palavras o outro tenha usado para se expressar, nós simplesmente escutamos suas observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Então podemos desejar refletir de volta, parafraseando o que entendemos. Nos mantemos em empatia, permitindo ao outro a oportunidade de se expressar completamente antes de voltarmos nossa atenção para soluções ou pedidos de alívio. 

Nós precisamos receber empatia para poder oferecer empatia. Quando percebemos que estamos sendo defensivos ou incapazes de empatizar, precisamos (A) parar, respirar, dar empatia a nós mesmos, (B) gritar não-violentamente, ou
(C ) dar um tempo.”

“Empatia, eu diria, é presença. Pura presença em relação ao que está vivo na pessoa neste momento, não trazendo nada do passado. Quanto mais você conhece uma pessoa, mais difícil é a empatia. Quanto mais você estudou psicologia, mais difícil é a empatia. Porque você não pode trazer nenhum pensamento do passado. Se você surfa, você provavelmente é melhor em empatia, porque você construiu em seu corpo do que se trata. Estar presente e em conexão com a energia que passa através de você no presente. Não é uma compreensão mental”. 

“Na empatia você não fala nada. Você fala com seus olhos. Você fala com o corpo. Se você diz qualquer palavra que seja, é porque você não tem certeza que está com a pessoa. Então você pode dizer algumas palavras. Mas as palavras não são empatia. Empatia é quando a outra pessoa sente a conexão com o que está vivo em você”. 

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Desacelerar

12/09/2017

“Para praticar a CNV (Comunicação Não-Violenta), é fundamental para mim ser capaz de desacelerar, ir no meu tempo, para partir de uma energia que eu escolher, uma que eu acredito que nós fomos destinados a vivenciar, e não aquela na qual eu fui programado. Eu começo o dia com uma lembrança de onde eu quero estar.” (Marshall Rosenberg, fundador da Comunicação Não-Violenta)

“To practice NVC (Nonviolent Communication), it’s critical for me to be able to slow down, take my time, to come from an energy I choose, the one I believe that we were meant to come from, not the one I was programmed intoDesacelerar. I start the day with a remembering of where I want to be.” (Marshall Rosenberg, founder of Nonviolent Communication)

Presença e conexão

14/08/2017

Desde muito jovens nós dois (eu e Yuri Haasz) damos aulas e atuamos com processos grupais e de desenvolvimento pessoal: ensino de idiomas, aikido, yoga, meditação, psicoterapia, e mais tarde: cursos, treinamentos, consultoria e facilitação de metodologias e processos participativos e colaborativos de cocriação, tomada de decisão e de transformação de conflitos, como Democracia Profunda, Art of Hosting (World Cafe, Open Space, Investigação Apreciativa, etc), Processo U, Comunicação Não-Violenta (CNV).

Desde cedo percebemos que compartilhar conhecimentos e facilitar aprendizados, vivências e insights de outras pessoas depende muito mais da qualidade de nossa presença e nossa conexão (conosco mesmos e com as pessoas), do que apenas de nosso conhecimento teórico ou técnico. Nossa experiência de vida integrando os conhecimentos no dia a dia, a coerência e a congruência em buscar viver de verdade esses novos paradigmas e modelos é o que realmente faz diferença.

Quando nos perguntam sobre os conhecimentos e abordagens com os quais trabalhamos e que consideramos tão preciosos e transformadores, dizemos que não se resumem a metodologias, técnicas, métodos ou ferramentas. Todos esses processos podem trazer transformações profundas e significativas ou podem não significar nada, não surtir efeito algum ou até mesmo causar danos, dependendo da qualidade de experiência, intenção, presença e conexão do facilitador, professor, consultor, psicólogo, ou coach.

Oto Scharmer, professor da MIT, renomada universidade americana, apresenta a Teoria U como uma jornada rumo ao exercício da liderança a partir de nossas mais altas possibilidades futuras, enfatizando a importância de iluminar o que ele chama de ‘ponto cego’, a fonte de onde se origina nossa atenção e ação.

Scharmer afirma que “a mesma pessoa na mesma situação fazendo a mesma coisa pode produzir um resultado totalmente diferente dependendo do lugar interior a partir do qual essa ação está vindo.” Diz ainda que “para lidar com os desafios de nosso tempo, precisamos aprender a deslocar o modo como prestamos atenção, a estrutura de campo de nossa atenção. O modo como prestamos atenção – o lugar do qual operamos – é o ponto cego em todos os níveis da sociedade.”

Desta forma, encorajamos as pessoas que querem atuar com desenvolvimento pessoal e se tornar facilitadoras de processos em grupo, a voltar seu olhar e consciência para a própria experiência pessoal e para este lugar interno a partir do qual operamos, essa fonte de onde se origina nossa intenção, atenção e ação, e desenvolver qualidades de presença e conexão. Aprender técnicas, sequências de exercícios, atividades e dinâmicas é o menos importante. Quanto estamos conectados com a essência e os princípios desses conhecimentos, e estamos presentes e conectados, fica fácil co-criar atividades específicas que façam sentido a cada momento com cada grupo ou pessoa.

presence
Presença (ideograma chinês)  

 

Anel

11/08/2017
Hoje me roubaram um anel. Minha aliança. Era de prata, com um filete de ouro. Compramos um dia antes de nos casarmos no cartório, após 10 anos vivendo juntos. Nos casamos para que eu pudesse acompanhar o Yuri num mestrado de dois anos no Japão. Sem esse pedaço de papel emitido pelo cartório eu só poderia ficar 3 meses no Japão.
 
Desde criança, quando voltava a pé da escola para casa, eu tirava o relógio do meu pulso e colocava na mochila ou no bolso. Ninguém havia me orientado a fazer isso, era algo que fazia por medo, preocupação – estava sempre atenta ao que ocorria em volta, ao movimento das pessoas e qualquer situação que pudesse significar algum risco. A noite antes de dormir imaginava rotas de fuga, saída pela janela, pelo muro, em caso de algum ladrão entrar em nossa casa. (Felizmente nunca ninguém entrou). Apenas quando morei no Japão senti o que é andar na rua relaxada, sem nenhuma preocupação.
 
Hoje andando na rua da minha casa em direção à praça onde costumo correr, percebi uma moto vindo na direção contrária, um rapaz meio gordinho, andando devagar, como se estivesse procurando o número de uma casa. Meu corpo sentiu certa tensão, mas não dei atenção… A moto passou por mim, deu meia volta e me “fechou”. Demorei alguns segundos para perceber que era um assalto, pois ele parecia uma pessoa simpática, seu tom de voz não era ameaçador apesar de dizer: tire a aliança senão vou te machucar.
 
Na hora foi um misto de pensamentos e sentimentos… surpresa, choque, angústia, irritação, insegurança, um certo desespero e vontade de me livrar logo da situação… pressa! Ao mesmo tempo, estava calma…
 
Tirei logo a aliança e entreguei para ele. Queria que ele fosse embora o mais rápido possível. Sensação de falta de poder, de falta de escolha, liberdade, autonomia.
 
Tive vontade de voltar para casa mas resolvi ir até a praça tentar me desfazer dessa sensação ruim.
 
Pensamentos diversos passavam pela minha cabeça. Tentando justificar a situação, me culpando por andar por este lado da rua e não do outro, por não dar atenção aos sinais do meu corpo, mas pelo menos ter seguido a intuição de sair sem celular neste dia, culpando o cara que não aparentava precisar roubar para ter as coisas… esses pensamentos me traziam raiva… depois talvez numa tentativa de diminuir a raiva, surgiam pensamentos imaginando o cara caindo da moto – e essa imagem me dava uma certa alegria, sensação de vingança, ou algo do tipo… Também surgiram pensamentos tentando imaginar que ele está fazendo o melhor que pode e que sabe, que deve estar numa situação difícil principalmente internamente para decidir roubar anéis de mulheres na rua…
 
Enquanto corria deixei pensamentos e sentimentos passarem por mim tentando apenas observá-los e vê-los passar, sem julgá-los… numa experiência quase meditativa.

Todavia

10/08/2017

Texto de Carmen Nakasu de Souza

Ela ouve seu marido rir-se dela
Diariamente
Ela ouve seu marido ignorar o que ela diz
Alegremente
Ela ouve seu marido tratá-la como uma ignorante
Religiosamente

Todavia
Aconteceu com sua mãe
Com sua avó
Com sua bisavó
Com sua tataravó
Com todas as boas mulheres que a precederam
Até os primeiros tempos, cuja grande culpada fora também uma delas.

(Toda via leva a Eva)

A escuta empática não funciona. A menos que seja uma escuta empática.

03/08/2017

Texto de Robert Krzisnik – 02.08.2017
(Tradução: Sandra Caselato)

 

ROBERT

 

Cerca de 15 anos atrás eu tinha interações regulares com um conhecido com quem eu tinha ‘um pé atrás’, muitos julgamentos em relação a ele, e nossas interações não eram fáceis.

A vida mudou de uma maneira que hoje em dia nos encontramos apenas brevemente a cada poucos anos, mas ainda me lembro de uma sabedoria que ele articulou, e eu só comecei a apreciar ultimamente. No meio de semanas de interações complexas e emocionalmente difíceis, ele disse:

“Você vê, um dia, depois que tudo isso tiver passado, talvez até mesmo em nossos leitos de morte, acabaremos abrindo os corações um ao outro e descobriremos que na verdade nos amamos. Por que então devemos esperar tanto tempo para nos dar conta disso? Por que não começamos a nos tratar de acordo com o amor que já existe no fundo de nossos corações?”

A clareza e a pureza deste convite me tocaram já naquele momento, mas eu não queria que isso realmente me afetasse, então eu continuei empurrando essa ideia para fora do nosso campo de relação. E fui muito bem-sucedido, devo dizer.

Hoje em dia, envolvido em várias interações diferentes e me lembrando de muitas outras do passado, eu me recordo dessas palavras e vejo o quão profundamente elas apontam para um certo perigo que se encontra no campo da interação e da comunicação humana, e especificamente também dentro do campo da comunicação não-violenta (CNV) e da prática da escuta empática, que está em seu cerne.

Na minha experiência, a compreensão empática pode, entre os praticantes da CNV, tornar-se rapidamente uma atividade mecânica que fazemos uns com os outros, levando a uma frustração contínua. Por exemplo, eu tenho um conflito com minha parceira, ela se expressa, eu digo de volta corretamente o que ela falou e então eu continuo com o meu: “mas, mas, mas…” ou, se eu sou realmente habilidoso, eu enrolo com “e, e, e …”

Eu ainda permaneço fixo dentro do meu ponto de vista sobre quem está certo (eu) e quem está errado (você). Eu ainda protejo meu pequeno eu, meu pequeno universo conhecido. Nada muda, apenas nosso campo de interação fica cada vez mais esgotado de energia, de esperança, de fluxo… ficamos mais cansados, começamos a desistir de nossas necessidades, abrir mão do que é importante…

Um dos meus muitos mentores, Kazuma Matoba, disse que, para ele, em essência, comunicação significa estar disposto a ser influenciado. Eu não poderia concordar mais com esta declaração. Ou seja, quando eu ouço você, estou honestamente disposto a ouvir a humanidade em você? Estou realmente, honestamente, tentando ouvir a dor em seu coração inocente? Estou realmente não apenas aberto, mas também disposto a ser influenciado por você e o que estou ouvindo de você?

Somente quando honestamente me inclino em direção a você, a fim de ouvir seu coração e deixar seu coração tocar o meu, apenas quando me abro o suficiente para que meu coração seja transformado por você, só então eu estou realmente ouvindo empaticamente e me conectando com você. E quando meu coração for tocado e transformado por você, eu terei mudado, meu mundo estará maior e minha realidade ganhará outra dimensão. Mais uma voz será adicionada ao coro universal da vida que eu venho ouvindo.

Só então posso esperar que uma mudança em nosso campo aconteça…

Se minha intenção não é ouvir assim, com todo meu coração e abertura, eu posso escolher outra maneira de gastar meu tempo, em vez de enganar a mim mesmo de que sou um bom ouvinte.

Texto original em inglês:
http://www.thatfield.eu/blog/empathic-listening-does-not-work-unless-it-is-empathic-listening

Empatia

24/06/2017
Um pouquinho sobre empatia ❤
(Por Carl Rogers)
“Ao contrário do que eu pensava anteriormente, empatia é mais um processo do que um estado, e este modo empático de estar com outra pessoa apresenta várias facetas:
“É penetrar no mundo perceptivo de outra pessoa e se sentir completamente em casa ali…”
“ Significa ter sensibilidade momento a momento para perceber as constantes mudanças internas desta outra pessoa… do medo, a raiva, fragilidade, confusão, ou qualquer outro sentimento que ela esteja experimentando naquele momento…
“Significa viver temporariamente a vida do outro, morar ali dentro, e se mover ali de forma muito delicada, sem fazer nenhum tipo de julgamento, buscando perceber sentimentos que ela provavelmente não tomou consciência, bem como procurando não reprimir os sentimentos que pareçam ameaçadores e que ela porventura já tenha percebido…”
“Inclui ainda a comunicação atenta do que você percebe daquele outro mundo, com seu olhar reflexivo e amigável, sobre os elementos que possivelmente a outra pessoa ainda teme…”
“Consiste em constantemente conferir com esta pessoa se a sua percepção está sendo correta e se guiar por suas respostas… E ao ser guiado por essas respostas, você se torna um companheiro confiável a partir de dentro de seu próprio mundo, por apontar-lhe possíveis significados latentes em seu fluxo de experiências… Desta forma, você o ajuda a permanecer focado nestes referenciais internos que o permitirão ter um a percepção pessoal mais completa para atravessar aquela experiência… “
“Estar com o outro desta forma, é pôr de lado seus valores e visões pessoais, de modo que possa entrar no mundo do outro despido de preconceitos…”
“Colocar-se de lado desta forma pra penetrar no mundo alheio, somente é possível para alguém que tenha autoconfiança o bastante para não se perder no que poderá surgir de estranho ou bizarro naquele outro mundo, e voltar a si mesmo confortavelmente sempre que desejar…”
“O que foi dito acima deveria deixar claro que Ser empático é a um só tempo um modo de ser complexo, exigente e forte, mas ainda assim, um sutil e gentil modo de Ser…”
CARL ROGERS
**Carl Rogers (1902-1987) foi um dos precursores da abordagem humanista da psicologia, e como mestre de Marshall Rosenberg, sua ideias tiveram grande influência na criação da Comunicação Não-Violenta
***O trecho acima foi extraído e livremente traduzido de uma aula proferida por Carl Rogers em 1974, e que poderá ser acessada no seguinte link:
(legendas automáticas em português disponíveis)